Johann Seb. Bach: Oratório de Natal - Estreio mundial da versão portuguesa


Ganhe uma impressão da obra com esses pequenos trechos da Segunda e Sexta Cantata do Oratório de Natal (Gravações amadorísticas)

As seis cantatas em três dias

Estreio mundial da versão portuguesa, as seis cantatas do oratório de natal no dia 3, 4 e 5 de dezembro 2009 na Igreja Adventista Central, Brasília, com 8 corais e 3 orquestras.

Dia 3 de dezembro, abertura com as cantatas I e II:
Coral Adventista de Brasília
Coro Técnico da Escola de Música de Brasília
Coral Evangélico de Brasília
Coral Cantus firmus
Regência: Eldom Soares e Emilio de Cesar


Dia 4 de dezembro, Cantatas III e IV:
Madrigal UnB
Coro e Madrigal Um Novo Dia
Orquestra sinfônica da Escola de Música de Brasília
Regência: David Junker e Rita Conte


Dia 5 de dezembro, Cantatas V e VI:
Coral Esperança de Cariacica, ES (Igreja Evangélica Luterana)
Orquestra Adventista de Brasília
Regência: Axel Bergstedt
No final, na Cantata VI, se reuniram quase todos os corais sob regência de Eldom Soares

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“Louvem, exultem” é o início do famoso Oratório de Natal, que é uma coletânea de seis cantatas para os dias de Natal até a festa da Epifania no dia 6 de janeiro. Bach conta com os meios da música a historia milagrosa do nascimento de nosso Salvador. A tradução para o português foi começada em 2004 pelos maestros luteranos Abner Campos, Matias Auel e Axel Bergstedt, e continuada em 2009 pelos maestros Eldom Soares e Axel Bergstedt, entre outros.


“Johann Sebastian Bach: Oratório de Natal” – não tem outro anúncio em cartazes de igrejas, teatros e outras instituições, que na Europa desperta mais o interesse dos amadores de música sacra. Na Alemanha em uma cidade do tamanho de Brasília a população pode escolher entre mais de 30 apresentações dessa sublime obra na época de natal, quase todas em igrejas. É comum, cantar três cantatas em uma noite. Corais de destaque cantam as outras três partes no dia ou na semana seguinte, outros deixam para o ano que vem.
A maior igreja de Hamburgo na Alemanha tem 3 mil lugares e faz no dezembro, às vezes também no janeiro, umas 8 apresentações com o oratório, todos lotados. É comum vender ingressos que custam entre R$ 30 e 300, dependendo do lugar na igreja, e geralmente nos últimos dias antes da apresentação todos já são vendidos.
A idéia original de Bach era diferente, pois ele compôs seis cantatas para os cultos dos feriados e domingos da época de natal, que são os três feriados: primeiro, segundo e terceiro dia festivo de natal, ou seja 25, 26 e 27 de dezembro. A quarta Cantata é para o culto do feriado de Ano Novo, a quinta para o domingo depois do ano novo, e a sexta para o dia dos Reis, dia 6 de janeiro.
A época de Natal dura tradicionalmente do dia 25 de dezembro até o dia 6 de janeiro, e não antes, como é celebrada hoje em dia pelas necessidades do comércio.
Uma cantata bem feita cita uma parte do evangelho ou outro texto previsto para o domingo, e ilustra-o com textos livres como poesias e estrofes de hinos escolhidos ou escritos justamente por um poeta evangélico ou pastor com dom de poesia para servirem para uma cantata.
Um oratório tem um enredo, uma história, que se desenvolve ao longo da apresentação. Um oratório parece-se com uma ópera, mas enquanto os cantores na ópera se mexem como atores no teatro, os cantores do oratório ficam em seus lugares.
Juntas, as seis cantatas do Oratório de Natal contam a história do nascimento de Jesus, muitas vezes interrompida por músicas contemplativas, com textos que refletem o trecho bíblico ou mostram os sentimentos do crente de hoje ouvindo as boas novas.

Na época de Bach os músicos evangélicos eram muito ativos, e produziam às vezes semanalmente novas músicas para o culto. Por isso Bach, quando era maestro do famoso coral de meninos de Leipzig (Alemanha), escreveu centenas de cantatas e outras obras em poucos anos. Os contemporâneos nem sabiam do valor dessas composições, porque a grande maioria gostava das músicas mais fáceis e leves como as de Vivaldi. A música de Bach, porém, não quer em primeiro lugar agradar ao ouvido, mas quer interpretar a palavra de Deus, assim como um pregador não deve tratar de agradar aos crentes, mas sendo, em primeiro lugar, fiel à palavra do Deus Eterno; assim Bach interpretou e iluminou a palavra como em um sermão.
Assim as obras foram usadas somente uma vez na época de natal 1734/35, e depois ninguém se interessou por elas. Demorou mais de 100 anos, até o mundo pôde ouvir mais uma vez o Oratório de Natal em 1857 em Berlim, Alemanha. Nesta época os músicos descobriram o valor das composições de Bach e começaram a publicar e apresentá-las.
Muito mais do que outros compositores da época barroca Bach faz uma música que reflete profundamente a palavra com as cores das harmonias e com a orquestração, e além disso com uma ampla simbologia, pela qual ele transforma termos de língua em termos musicais. Isso tem que ser considerado com muito apuro se traduzir as obras de Bach para outras línguas.

Embora que sintamos essa perfeita união entre texto e música nas obras de Bach, surpreende o fato, que Bach compôs algumas partes do oratório de Natal primeiramente para outros textos: cantatas para aniversários e outras festas de príncipes com conteúdo nem evangélico. Conferindo as formas mundanas e sacras podemos aprender, como o próprio Bach conseguiu trocar o texto sem contrariar a simbologia e o sentido da música. Presume-se, que o autor do texto era também um homem com entendimento para a música e sua simbologia. Disso podemos aprender muito para proceder de maneira certa ao se traduzir as obras de Bach.
Feito a tradução na bela tradição evangélica de fazer todos os textos acessíveis ao povo, o que significa evitar na medida possível cantar em latim ou outras línguas estrangeiras, apresentamos pela primeira vez essa obra na esperança de que o nosso sublime Senhor ouça-la com agrado e benevolência. Axel Bergstedt axelbergstedt@gmail.com